Vi que alguns amigos já receberam o álbum da Copa de 2014. Eu também. Com figurinhas. E li o texto brilhante do Mauricio Stycer ( http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2014/04/07/opiniao-figurinhas-com-publicidade-sao-um-abuso.htm ) sobre o tema. Impulsionado pela grande quantidade de gente na redação colecionando vou me meter no tema. Faremos uma ponte-aérea de figurinhas Rio-São Paulo que promete mexer no mercado.
Mas a primeira impressão não foi boa.
Sou das antigas. Comecei a colecionar figurinhas em 81, 82. Na época não era Paninni e sim o álbum da Copa era dos chicletes (chiclé, em São Paulo), Ping Pong. Era necessário mascar muito para conseguir uma figurinha e andar pela cidade em busca de chicletes de morango, onde vinham as mais raras ("não existem figurinhas difíceis", dizia o álbum).
Sigo.
Não gosto de figurinhas auto-colantes. Prefiro as que nos obrigavam a usar cola. Ainda cheguei a fazer cola de farinha de maisena.
Os pacotinhos de hoje te permitem ver, com dose de boa vontade, qual o primeiro cromo. Antigamente não havia jeito de ver nada. O que dava mais emoção. Além disso, você conseguia usar um pacotinho como "depósito" para trocar as figurinhas repetidas e levar pro colégio na mochila, sem risco de amassar. Com o pacotinho de hoje, isso é impossível. É ainda difícil abrir o pacotinho sem danificar um cromo, de tão apertado que vem aquilo.
Ao contrário de muitos amigos, que eram exímios coladores de figurinha, meus álbuns eram uma zona. Errava de propósito e errava porque errava. Figurinha para mim tem que ter aquele espaço em branco pra marcar que você é humano e faz merda na hora de colar.
Mais. Cadê a relação numérica das figurinhas na última página, onde você marcava o que já tinha? Cadê o nome dos jogadores no álbum? Se eu colar por engano a 127 no lugar da 128 e quando vier a 128 eu colar na 127 dá igual. Se você não comparar o álbum com ninguém, nunca vai saber se errou. Isso é péssimo. Posso colocar o time na ordem que quiser. Que porcaria.
E para fechar, que merda é essa de figurinha com propaganda? Dá vontade de deixar em branco em sinal de protesto.
Para não falar só de coisa ruim, gostei do fato de as 32 seleções terem o mesmo espaço. No álbum da Copa de 90, por exemplo, algumas seleções menores dividiam a página e os jogadores dividiam espaço na mesma figurinha. Agora isso melhorou (na verdade, desde 2006 já era assim).
7 de abr. de 2014
6 de mar. de 2014
O jurado e seus quesitos
Não concordo com as notas dos jurados da Liesa. Mas também não concordo com a lista do Felipão, a escalação do Jayme de Almeida e com um montão de outras coisas. Mas adoro carnaval. Adoro ver desfile da Sapucaí e adoro dar opinião.
Antes de começar o carnaval, só de ouvir o disco e ler quem entende achava que o Salgueiro fosse ganhar. Achava também que a Beija-Flor iria ficar em terceiro. Em sétimo nunca. E apostava que a Ilha fosse fazer um grande desfile. Sabia também que a Imperatriz iria naufragar com Wander Pires cantando. Não gosto do jeito dele cantar. Depois vi que a Mocidade a a Império da Tijuca, apesar de serem as primeiras a desfilar tinham bons sambas e boas chances.
Aí veio o carnaval. E vi um Salgueiro lindo, mas com erros.Vi uma Beija-Flor com garra mas sem o brilho de outros tempos. Vi uma Ilha espetacular, que passou a ser minha favorita no primeiro carro. Mas no terceiro, que levou oito minutos para entrar na avenida, vi tudo ir por água abaixo. Vi a Imperatriz exuberante com Zico, mas com Wander Pires estragando tudo antes de começar a cantar o samba. Vi a Vila Isabel ridícula e uma Portela bem certinha.
Depois do carnaval vi uma Tijuca campeã sem merecer tanto assim. Uma Portela que merecia mais. Uma Ilha que merecia mais uma Mocidade recompensada. Vi uma Império da Tijuca que merecia muito mais, uma São Clemente que merecia menos e uma Vila Isabel que merecia bem menos. Mas é isso aí mundo do samba, como diz o cantor. Todo ano é igual. A diferença maior é que não tem Beija-Flor nas campeãs. E só isso já é muito.
Antes de começar o carnaval, só de ouvir o disco e ler quem entende achava que o Salgueiro fosse ganhar. Achava também que a Beija-Flor iria ficar em terceiro. Em sétimo nunca. E apostava que a Ilha fosse fazer um grande desfile. Sabia também que a Imperatriz iria naufragar com Wander Pires cantando. Não gosto do jeito dele cantar. Depois vi que a Mocidade a a Império da Tijuca, apesar de serem as primeiras a desfilar tinham bons sambas e boas chances.
Aí veio o carnaval. E vi um Salgueiro lindo, mas com erros.Vi uma Beija-Flor com garra mas sem o brilho de outros tempos. Vi uma Ilha espetacular, que passou a ser minha favorita no primeiro carro. Mas no terceiro, que levou oito minutos para entrar na avenida, vi tudo ir por água abaixo. Vi a Imperatriz exuberante com Zico, mas com Wander Pires estragando tudo antes de começar a cantar o samba. Vi a Vila Isabel ridícula e uma Portela bem certinha.
Depois do carnaval vi uma Tijuca campeã sem merecer tanto assim. Uma Portela que merecia mais. Uma Ilha que merecia mais uma Mocidade recompensada. Vi uma Império da Tijuca que merecia muito mais, uma São Clemente que merecia menos e uma Vila Isabel que merecia bem menos. Mas é isso aí mundo do samba, como diz o cantor. Todo ano é igual. A diferença maior é que não tem Beija-Flor nas campeãs. E só isso já é muito.
25 de fev. de 2014
Viajar na Iberia é viajar com fome
O link do Porta dos Fundos dessa segunda-feira http://youtu.be/i8jIiGu4tVM foi feito pra mim. Acabo de chegar de uma viagem de trabalho a Roma. Vim de Iberia e isso significa, no meu caso, passar 10h apenas com uma garrafinha de água de 750ml. Conto o caso.
No trecho Roma-Madri comer, nem pensar. É tudo pago. Mas são 2 horas de voo, beleza, nem precisa. Chego a Madri sem tomar café e decido comer um sanduba e um refri pra dar aquela tapeada até que chegasse ao almoço do avião. Que não é nada, não é nada, mas tem.
No meu caso, não tem.
Sentei na poltrona 21C, corredor. Avião vazio. A classe turista começa na 10. Ou seja: onze fileiras à minha frente com umas 44 poltronas e no máximo 13 pessoas. Para começar, como não tinha ninguém na janela me confundiram com um outro passageiro que tinha pedido comida kosher. O cara decidiu sentar em outro lugar e não se identifica.
- Senhor Carun é o senhor? - Perguntou esbaforida. Neguei.
Quando a mesma aeromoça volta com o jantar, duas horas depois de decolar, nem pensa em me fazer a pergunta: "pasta ou pollo?", como é habitual. Vai tirando a bandeja e jogando em cima da minha mesinha. Quando abro, para minha surpresa, suculentas berinjelas fatiadas ao queijo com molho de tomato. Hum...
Só que eu não como berinjela. Odeio berinjela. Pedi para trocar e a resposta foi pronta.
- Só tem isso. Se você não quiser eu posso te trazer uns amendoins, disse irritada.
Claro, posso trocar meu almoço por amendoins, que ótimo. Preferi não comer. Ela até ficou de ir ver se tinha alguma outra opção. Mas passou por mim com café ou té umas duas vezes e me ignorou. Quatro horas depois, decidiram servir um sanduíche. Expliquei meu caso a outro aeromoça (sem erro de gênero) e ele simpaticamente me disse.
- É um sanduíche por passageiro!
Que gentil, não. Recuso até mesmo o meio sanduíche que ele me oferecera. Passadas mais duas horas, voltam eles com mais um lanchinho. Desta vez nem quero ver o que é. Recuso de cara. Eia que volta a primeira aeromoça.
- O senhor tem certeza que não é senhor Carun? e respondo.
- A senhora acha que não sei meu sobrenome? Sou o que não come berinjela, lembra? Você ficou de me dar uma explicação e até agora nada.
E ela ficou me olhando com cara de bunda azeda.
A chefe dos comissários então decidiu vir falar comigo, saber porque não queria comer. Expliquei a ela que não queria comer porque estava me sentindo mal de dar tanto prejuízo à Iberia. Veja só: minha empresa pagou, e caro, a passagem para eu vir para Roma com vocês e ainda quero comer? Não é possível. Não quero ser responsável pela queda do faturamento da empresa. Ainda mais com a Espanha em crise. E disse também que nunca fui tal tratado em uma companhia aérea como estava sendo. Foram incapazes de encontrar uma solução para mim. Ela até tentou me pedir desculpas, mas eu disse: você como chefe deveria ter vindo aqui mais cedo e não nove horas depois do avião decolar. Não aceito suas desculpas e se puder, a Iberia nunca mais verá a cor do meu dinheiro.
Espero que tenham tido um voo agradável, disse o piloto.
No trecho Roma-Madri comer, nem pensar. É tudo pago. Mas são 2 horas de voo, beleza, nem precisa. Chego a Madri sem tomar café e decido comer um sanduba e um refri pra dar aquela tapeada até que chegasse ao almoço do avião. Que não é nada, não é nada, mas tem.
No meu caso, não tem.
Sentei na poltrona 21C, corredor. Avião vazio. A classe turista começa na 10. Ou seja: onze fileiras à minha frente com umas 44 poltronas e no máximo 13 pessoas. Para começar, como não tinha ninguém na janela me confundiram com um outro passageiro que tinha pedido comida kosher. O cara decidiu sentar em outro lugar e não se identifica.
- Senhor Carun é o senhor? - Perguntou esbaforida. Neguei.
Quando a mesma aeromoça volta com o jantar, duas horas depois de decolar, nem pensa em me fazer a pergunta: "pasta ou pollo?", como é habitual. Vai tirando a bandeja e jogando em cima da minha mesinha. Quando abro, para minha surpresa, suculentas berinjelas fatiadas ao queijo com molho de tomato. Hum...
Só que eu não como berinjela. Odeio berinjela. Pedi para trocar e a resposta foi pronta.
- Só tem isso. Se você não quiser eu posso te trazer uns amendoins, disse irritada.
Claro, posso trocar meu almoço por amendoins, que ótimo. Preferi não comer. Ela até ficou de ir ver se tinha alguma outra opção. Mas passou por mim com café ou té umas duas vezes e me ignorou. Quatro horas depois, decidiram servir um sanduíche. Expliquei meu caso a outro aeromoça (sem erro de gênero) e ele simpaticamente me disse.
- É um sanduíche por passageiro!
Que gentil, não. Recuso até mesmo o meio sanduíche que ele me oferecera. Passadas mais duas horas, voltam eles com mais um lanchinho. Desta vez nem quero ver o que é. Recuso de cara. Eia que volta a primeira aeromoça.
- O senhor tem certeza que não é senhor Carun? e respondo.
- A senhora acha que não sei meu sobrenome? Sou o que não come berinjela, lembra? Você ficou de me dar uma explicação e até agora nada.
E ela ficou me olhando com cara de bunda azeda.
A chefe dos comissários então decidiu vir falar comigo, saber porque não queria comer. Expliquei a ela que não queria comer porque estava me sentindo mal de dar tanto prejuízo à Iberia. Veja só: minha empresa pagou, e caro, a passagem para eu vir para Roma com vocês e ainda quero comer? Não é possível. Não quero ser responsável pela queda do faturamento da empresa. Ainda mais com a Espanha em crise. E disse também que nunca fui tal tratado em uma companhia aérea como estava sendo. Foram incapazes de encontrar uma solução para mim. Ela até tentou me pedir desculpas, mas eu disse: você como chefe deveria ter vindo aqui mais cedo e não nove horas depois do avião decolar. Não aceito suas desculpas e se puder, a Iberia nunca mais verá a cor do meu dinheiro.
Espero que tenham tido um voo agradável, disse o piloto.
20 de dez. de 2013
Estado laico, graças a Deus
No Brasil a Constituição diz que o Estado é laico. Mas parece que para a cidade de Campos, a cidade tem que adotar a religião da prefeita Rosinha Garotinho. Veja essa publicação oficial no Facebook dando os parabéns a um, vamos dizer assim, "eleitor."
19 de dez. de 2013
O melhor das compras de Natal
O melhor lugar para compras de Natal não é um shopping center de luxo e muito menos um popular. O melhor lugar para gastar o dinheiro do seu décimo terceiro salário é num posto de gasolina. Isso na visão do frentista, claro. Você chega para abastecer e não basta. O cara te oferece uma ducha. Você recusa. E ele gentilmente te pede para abrir o capô para ele "verificar a água e o óleo." E aí começa.
Não bastasse a gasolina estar pela hora da morte e você precisar encher o tanque com gasolina (Premium? Não, obrigado), ele ainda te desfia um rosário de problemas para quem vai pegar a estrada.
- O óleo tá baixo. Tem que trocar.
- Mas eu troquei no mês passado.
- Mas tá baixo. Pega pelo menos um litro.
Pega um litro e meio e você ainda é obrigado a ficar com meia garrafinha de óleo na mala do carro.
- Shii, precisa trocar o filtro também. De óleo e de ar. E essa água do radiador, sei não.
- Precisa não, ele vai entrar na revisão assim que voltar.
- O senhor é que sabe - diz, com cara de "vai dar merda, depois não reclama"
E ainda vem fluído de freio, aditivo para o motor, sabão para a água do mija (pra limprar o vidro, saca?) e você sai do posto de gasolina com o limite do cartão de crédito mais do que estourado. E ainda tem a caixinha do querido amigo do posto, tão prestativo e atencioso.
Mas o melhor mesmo é que você, depois de gastar essa grana toda, não sai de mãos abanando. Ganha de presente um lindo "não-sei-pra-que-serve" para usar no carro o resto do ano. Feliz Natal.
Não bastasse a gasolina estar pela hora da morte e você precisar encher o tanque com gasolina (Premium? Não, obrigado), ele ainda te desfia um rosário de problemas para quem vai pegar a estrada.
- O óleo tá baixo. Tem que trocar.
- Mas eu troquei no mês passado.
- Mas tá baixo. Pega pelo menos um litro.
Pega um litro e meio e você ainda é obrigado a ficar com meia garrafinha de óleo na mala do carro.
- Shii, precisa trocar o filtro também. De óleo e de ar. E essa água do radiador, sei não.
- Precisa não, ele vai entrar na revisão assim que voltar.
- O senhor é que sabe - diz, com cara de "vai dar merda, depois não reclama"
E ainda vem fluído de freio, aditivo para o motor, sabão para a água do mija (pra limprar o vidro, saca?) e você sai do posto de gasolina com o limite do cartão de crédito mais do que estourado. E ainda tem a caixinha do querido amigo do posto, tão prestativo e atencioso.
Mas o melhor mesmo é que você, depois de gastar essa grana toda, não sai de mãos abanando. Ganha de presente um lindo "não-sei-pra-que-serve" para usar no carro o resto do ano. Feliz Natal.
5 de ago. de 2013
A real Estrada Real
Acabo de chegar de dois dias de viagem por parte de Minas Gerais e já fiquei louco para voltar. Em pouco tempo vi Tiradentes, Congonhas e Ouro Preto, além de passar por São João Del Rei, Itabirito e Ouro Branco. Tudo muito rapidamente, mas o suficiente para despertar o desejo de ter muito mais tempo para explorar um território tão rico em histórias e em belezas naturais e não naturais.
Mas uma viagem como essa precisa ser bem preparada. Para começar mapas físicos das estradas e das principais cidades. Ainda não inventaram Google Maps que substitua o dobrar o mapa, marcar sua rota a caneta amarela, calcular distâncias rapidamente de cabeça. Depois um tablet com conexão à internet para, assim que chegar em cada lugar, poder ler histórias, conhecer personagens. Ou, quem sabe, contratar um guia turístico local para ter mais assunto.
Fico pensando no turista que virá para a Copa do Mundo e que vai se estabelecer em Belo Horizonte e tiver, entre um jogo e outro, tempo de ir passear por essas cidades históricas. Que maravilha, não?
Não. Maravilha nada. Vai ser um transtorno.
As estradas são horrorosas. Isso sim, placas do Governo de Minas dizendo que estão sendo feitas obras estão por toda parte. Mas não se vê nada sendo feito. Quase nenhuma obra importante. Buracos, buracos e mais buracos. As sinalizações são péssimas e precárias. Raramente você encontra uma que tê a distância que falta a seu destino (só no trecho da BR-040 que está privatizado entre Rio e Juiz de Fora). Nas estradas mineiras, reze para encontrar uma placa que te diga algo além de "Por favor, não atire nas placas", ou "Governo de Minas, aqui tem Samu". Provavelmente deve ser para você tomar um tiro e buscar ajuda médica.
Conseguir sair das cidades sem pedir informação é impossível.
Isso sem falar nas que existem e estão dobradas, quase que invisíveis (a da estrada para Tiradentes na altura de Barbacena está quase tombada). Há trecho de 1 Km em que há seis, repito, seis quebra-molas em sequencia. Ai invés de educar o motorista, as estradas punem e fazem você andar mais tempo em primeira e segunda, gastando mais combustível, poluindo mais. O governo deve pensar que colocando quebra-molas ao longo de cerca de 200Km entre BH e Juiz de Fora você fique feliz por passar mais tempo dentro do estado. Se for de noite então, você vai gastar o dobro do tempo normal.
Vou voltar, mas com tempo para apreciar mais as cidades, com mais músicas no Mp3 para aguentar tanto tempo de estrada e de mapa na mão, para não perder nenhuma entrada.
Mas uma viagem como essa precisa ser bem preparada. Para começar mapas físicos das estradas e das principais cidades. Ainda não inventaram Google Maps que substitua o dobrar o mapa, marcar sua rota a caneta amarela, calcular distâncias rapidamente de cabeça. Depois um tablet com conexão à internet para, assim que chegar em cada lugar, poder ler histórias, conhecer personagens. Ou, quem sabe, contratar um guia turístico local para ter mais assunto.
Fico pensando no turista que virá para a Copa do Mundo e que vai se estabelecer em Belo Horizonte e tiver, entre um jogo e outro, tempo de ir passear por essas cidades históricas. Que maravilha, não?
Não. Maravilha nada. Vai ser um transtorno.
As estradas são horrorosas. Isso sim, placas do Governo de Minas dizendo que estão sendo feitas obras estão por toda parte. Mas não se vê nada sendo feito. Quase nenhuma obra importante. Buracos, buracos e mais buracos. As sinalizações são péssimas e precárias. Raramente você encontra uma que tê a distância que falta a seu destino (só no trecho da BR-040 que está privatizado entre Rio e Juiz de Fora). Nas estradas mineiras, reze para encontrar uma placa que te diga algo além de "Por favor, não atire nas placas", ou "Governo de Minas, aqui tem Samu". Provavelmente deve ser para você tomar um tiro e buscar ajuda médica.
Conseguir sair das cidades sem pedir informação é impossível.
Isso sem falar nas que existem e estão dobradas, quase que invisíveis (a da estrada para Tiradentes na altura de Barbacena está quase tombada). Há trecho de 1 Km em que há seis, repito, seis quebra-molas em sequencia. Ai invés de educar o motorista, as estradas punem e fazem você andar mais tempo em primeira e segunda, gastando mais combustível, poluindo mais. O governo deve pensar que colocando quebra-molas ao longo de cerca de 200Km entre BH e Juiz de Fora você fique feliz por passar mais tempo dentro do estado. Se for de noite então, você vai gastar o dobro do tempo normal.
Vou voltar, mas com tempo para apreciar mais as cidades, com mais músicas no Mp3 para aguentar tanto tempo de estrada e de mapa na mão, para não perder nenhuma entrada.
15 de jul. de 2013
Os piões atacam e Cabral espera para o golpe
Os manifestantes estão pedindo a saída de Cabral do governo? Pois estão pedindo tudo o que ele mais deseja nesse momento. Engana-se o "protestante" que acha que isso vai em contra do que deseja o governador. Fernando Molica já contou essa história em sua coluna de O Dia e já ouvi a mesma versão de uma ótima fonte de dentro do Governo. Cabral quer renunciar.
E para quê? Primeiro para sumir do mapa por uns tempos. Ele sabe que a situação dele está cada vez mais difícil. E do jeito que as coisas vão, Luiz Fernando Pezão não se elege nem síndico de condomínio. Uma saída de Cabral colocaria Pezão no governo e no ponto de bala para disputar a "reeleição" com toda a máquina trabalhando a seu favor.
E essa máquina precisa mesmo trabalhar antes que chegue alguém e comece e levantar contratos, concessões e licitações dos sete anos de governo Cabral, o que, no momento de ebulição por que passe o país, poderia ser fatal para o futuro imediato do atual governador. Com Pezão cinco anos no governo dá tempo de sobra de maquiar o que de mau já foi feito e deixar Cabral contando com a memória fraca do povo para 2018 ou 2020.
Nesse jogo de xadrez complicado que é o mapa atual de lideranças do Rio de Janeiro, curiosamente os ataques vieram dos piões e não do bispo ou da torre ou do cavalo, como era de se esperar. Cabral vai deixar que se coma sua rainha para tentar um xeque mate, como o Rei, dentro de cinco anos. O problema é que tabuleiro não está mais fixo à mesa como até outro dia. E os mesmos piões que atacam, querem virar o tabuleiro de cabeça pra baixo.
E para quê? Primeiro para sumir do mapa por uns tempos. Ele sabe que a situação dele está cada vez mais difícil. E do jeito que as coisas vão, Luiz Fernando Pezão não se elege nem síndico de condomínio. Uma saída de Cabral colocaria Pezão no governo e no ponto de bala para disputar a "reeleição" com toda a máquina trabalhando a seu favor.
E essa máquina precisa mesmo trabalhar antes que chegue alguém e comece e levantar contratos, concessões e licitações dos sete anos de governo Cabral, o que, no momento de ebulição por que passe o país, poderia ser fatal para o futuro imediato do atual governador. Com Pezão cinco anos no governo dá tempo de sobra de maquiar o que de mau já foi feito e deixar Cabral contando com a memória fraca do povo para 2018 ou 2020.
Nesse jogo de xadrez complicado que é o mapa atual de lideranças do Rio de Janeiro, curiosamente os ataques vieram dos piões e não do bispo ou da torre ou do cavalo, como era de se esperar. Cabral vai deixar que se coma sua rainha para tentar um xeque mate, como o Rei, dentro de cinco anos. O problema é que tabuleiro não está mais fixo à mesa como até outro dia. E os mesmos piões que atacam, querem virar o tabuleiro de cabeça pra baixo.
4 de jul. de 2013
Descobrimento do Brasil e Império Serrano
Depois de acompanhar o protesto de menos de 100 pessoas, ontem, em frente à TV Globo, e ouvindo manifestantes chego a algumas conclusões.
1 - Desde o Descobrimento do Brasil até hoje, tudo é culpa da TV Globo. (Dito por um manifestante)
2 - As frases que eles usam são mais para dar um plus no ego deles do que para assustar alguém. Vejam por exemplo. "Amanhã vai ser maior!". Claro, com 100 pessoas se amanhã não for maior, é melhor fechar a tendinha. "O Rede Globo, pode esperar, sua audiência vai baixar". Tentam, tentam, mas não baixa. O povo não é bobo. Só vê a Rede Globo. Qualidade, meu filho, é um problema que as outras emissoras tê, Gostemos ou não da Globo. "Não vai ter Copa!". Essa é pra dar gargalhada e não comentar.
3 - Os próprios manifestantes não se entendem. Vão para a rua sem saber o que vão pedir. Uns pedem que deixem os profissionais da Globo trabalharem em paz, sem ameaça. Outros pedem que vandalizem os vivos e profissionais da emissora. Outros pedem que vandalizem os vivos mas que deixem os profissionais trabalharem. ????
4 - Até a quebra do monópolio do petróleo é culpa da Globo. (dito por um membro do Sindipetro que estava na manifestação)
5 - Quem trabalha na Globo é conivente. (dito por outro manifestante)
6 - Ui muy iran. (Não entendi chongas, mas foi dito por um ex-índio da Aldeia Maracanã, que também estava no protesto). E para acabar, a melhor:
7 - Já caiu o Império Romano, já caiu o Império Otomano, e já caiu até o Império Serrano. Só falta cair o Império Global.
Com essa eu fecho a manifestação pra balanço. Acho que essa gente precisa se manifestar sim, mas com propostas coerentes. Se querem acabar com o "poder da mídia" do monopólio (ou do oligopólio, eles ainda não decidiram), façam coisas interessantes, disseminem e contaminem os outros com suas ideias. Mas com coisas concretas e não com ilações. Até a próxima.
1 - Desde o Descobrimento do Brasil até hoje, tudo é culpa da TV Globo. (Dito por um manifestante)
2 - As frases que eles usam são mais para dar um plus no ego deles do que para assustar alguém. Vejam por exemplo. "Amanhã vai ser maior!". Claro, com 100 pessoas se amanhã não for maior, é melhor fechar a tendinha. "O Rede Globo, pode esperar, sua audiência vai baixar". Tentam, tentam, mas não baixa. O povo não é bobo. Só vê a Rede Globo. Qualidade, meu filho, é um problema que as outras emissoras tê, Gostemos ou não da Globo. "Não vai ter Copa!". Essa é pra dar gargalhada e não comentar.
3 - Os próprios manifestantes não se entendem. Vão para a rua sem saber o que vão pedir. Uns pedem que deixem os profissionais da Globo trabalharem em paz, sem ameaça. Outros pedem que vandalizem os vivos e profissionais da emissora. Outros pedem que vandalizem os vivos mas que deixem os profissionais trabalharem. ????
4 - Até a quebra do monópolio do petróleo é culpa da Globo. (dito por um membro do Sindipetro que estava na manifestação)
5 - Quem trabalha na Globo é conivente. (dito por outro manifestante)
6 - Ui muy iran. (Não entendi chongas, mas foi dito por um ex-índio da Aldeia Maracanã, que também estava no protesto). E para acabar, a melhor:
7 - Já caiu o Império Romano, já caiu o Império Otomano, e já caiu até o Império Serrano. Só falta cair o Império Global.
Com essa eu fecho a manifestação pra balanço. Acho que essa gente precisa se manifestar sim, mas com propostas coerentes. Se querem acabar com o "poder da mídia" do monopólio (ou do oligopólio, eles ainda não decidiram), façam coisas interessantes, disseminem e contaminem os outros com suas ideias. Mas com coisas concretas e não com ilações. Até a próxima.
28 de jun. de 2013
Passeata contra as senhas
No meio de tantos protestos, não vi ninguém protestar contra as senhas. Sim, as senhas. Há mal maior na nossa atualidade? Primeiro eras de quatro números. Passaram a seis. E não anote em lugar algum. É sua segurança. Não use datas de aniversário, casamento, filhos. Use uma senha original. A coisa foi ficando pior.
O que antes era só a senha do banco virou a senha do banco, das três contas de e-mail, do celular, da conta da Apple, do cadastro do jornal para ler na internet, a senha do programa de milhagem, do programa de fidelidade do cartão de crédito. Todas originais, única e guardadas na cabeça.
Foi preciso depois inserir uma letra maiúscula no meio da senha. E agora inventaram de se colocar também um símbolo entre uma letra maiscula, números e letras minusculas. Enfim, comprei um celular novo, e o que fiz? Coloquei uma senha nova. No meio da digitação ele me lembra: é preciso uma letra no meio dos números. Pois bem. O celular não aceita mais a senha. Bloqueou e estou sem telefone.
Vou ter que ir em uma assistência técnica autorizada, enfrentar uma fila mostra, para ver se tem solução. Vou fazer uma passeata sozinho, no meio da Rio Branco, querendo uma CPI para as senhas. Que coisa mais infernal.
O que antes era só a senha do banco virou a senha do banco, das três contas de e-mail, do celular, da conta da Apple, do cadastro do jornal para ler na internet, a senha do programa de milhagem, do programa de fidelidade do cartão de crédito. Todas originais, única e guardadas na cabeça.
Foi preciso depois inserir uma letra maiúscula no meio da senha. E agora inventaram de se colocar também um símbolo entre uma letra maiscula, números e letras minusculas. Enfim, comprei um celular novo, e o que fiz? Coloquei uma senha nova. No meio da digitação ele me lembra: é preciso uma letra no meio dos números. Pois bem. O celular não aceita mais a senha. Bloqueou e estou sem telefone.
Vou ter que ir em uma assistência técnica autorizada, enfrentar uma fila mostra, para ver se tem solução. Vou fazer uma passeata sozinho, no meio da Rio Branco, querendo uma CPI para as senhas. Que coisa mais infernal.
3 de jun. de 2013
Não quero carona
O que eu espero da Copa das Confederações?
Primeiro: que os coleguinhas credenciados não consigam credenciar mulheres e irmãos como ajudantes ou aspones e que eles, assim, não ocupem espaços nas salas de imprensa, tribuna e entrevistas coletivas. E desejo também que os convidados da Fifa, CBF e patrocinadores não possam entrar nas zonas de entrevistas. Se não podemos entrar nos locais reservados a eles, que os seguranças parem de fazer vista grossa e não os deixem passar para a zona de imprensa também.
Porque isso foi o que não se viu no Brasil x Inglaterra e durante os treinos. Foi um festival de mulheres, filhos e amigos como caronas.
Primeiro: que os coleguinhas credenciados não consigam credenciar mulheres e irmãos como ajudantes ou aspones e que eles, assim, não ocupem espaços nas salas de imprensa, tribuna e entrevistas coletivas. E desejo também que os convidados da Fifa, CBF e patrocinadores não possam entrar nas zonas de entrevistas. Se não podemos entrar nos locais reservados a eles, que os seguranças parem de fazer vista grossa e não os deixem passar para a zona de imprensa também.
Porque isso foi o que não se viu no Brasil x Inglaterra e durante os treinos. Foi um festival de mulheres, filhos e amigos como caronas.
24 de mai. de 2013
21 de mai. de 2013
O futuro de Vitinho
carente. Vimos isso com Romário, com Ronaldo e mais recentemente com Adriano. Longe de fazer qualquer tipo de comparação, este tipo de histórias costumam ter um início difícil, um meio feliz (e rico, polpudo) e um final que pode ir do feliz à tragédia absoluta. No caso de Vitinho, promessa do Botafogo e recentemente eleito como a revelação do campeonato carioca, a história começa como quase todas: nascido e criado na favela Nova Brasília, no loteamento Guadalajara, no Complexo do Alemão no Rio, Vitinho foi descoberto ainda no Sendas, que depois virou Audax RJ. Daí para o Botafogo onde, aos poucos, foi tendo suas oportunidades com Osvaldo de Oliveira, até chegar às categorias de base da seleção. Aí é que o filme faz uma pausa.
Neste momento da história aparecem os amigos. E muitos. Chegando de todos os lados. De uma hora para outra Vitinho ganhou amigos de infância que nunca tinha visto na vida. Festas, baladas, convites para coisas um pouco mais pesadas (e recusadas). E o pai do jogador, conhecido como Pará, trabalhador da construção civil e craque das peladas do fim de semana na região, abre o olho, controlando tudo o que pode. Mas chega um momento que nem o pai mais zeloso do mundo sabe onde o filho anda. Resultado: já há um Vitinho Junior a caminho do mundo. E não há nada de mal nisso, diga-se de passagem. Mas o pai luta para afastá-lo das más companhias. E das boas também, por se acaso.
O olho é gordo para cima do salário do jogador. Afinal, para festas, churrascos e a cerveja depois da pelada é sempre quem ganha mais quem paga a conta. No caso, Vitinho. O que circula na comunidade é que o jogador estaria ganhando cerca de R$ 60 mil mensais no clube. Pará, o pai, já obteve duas ótimas vitórias: Vitinho já comprou uma casa boa para os pais na comunidade e já conseguiu fazer com que as visitas do filho ao Complexo do Alemão (pertinho de onde saiu Adriano, que é da Vila Cruzeiro) sejam cada vez mais raras e controladas. Vitinho mora com um companheiro de clube no Recreio e em breve vai morar sozinho também no Recreio. Agora a tarefa é controlar os amigos novos do Recreio. Mas pelo menos nisso Pará tem como aliado o Botafogo. O clube está escolado depois de ter lutado, quase que em vão, para tentar salvar a carreira de Jobson.
Vamos torcer para, desta vez, o futuro desse bom jogador tenha um final feliz.
14 de mai. de 2013
O estranho pedido de Marín
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| Marín durante a convocação. Crédito: Daniel Ramalho/ Terra |
José Maria Marín, presidente da CBF e do COL da Copa 2014, e que adora uma latinha, fez um discurso estranho antes da convocação da seleção esta manhã no Rio. Pediu, repetiu e voltou a reiterar o pedido para que ninguém, nas próximas semanas, fale de eleições. Fale apenas de Seleção Brasileira. Isso para que não se desvie o foco do futebol.
Eu tenho a mania de tentar pensar além do que o entrevistado ou falante, disse.
Quando Marin fala em eleições, é claro que ele fala em eleição, no singular, da CBF. Marcada para abril de 2014 vai roubar a cena da Copa do Mundo e da Seleção assim que o assunto sorteio da Copa esfriar. E isso vai ser logo no início do ano. Marco Polo, Andrés Sanches e outros que ainda podem surgir vão querer aparecer mais que os jogadores de Felipão.
Mas será que o recado dado por Marín (que vem falando bobagens desde da ditadura militar) não teria sido também para os políticos brasileiros? Vejamos: 2014 é ano de eleições. Da presidente Dilma ao mais diletante candidato a deputado estadual, todos vão estar imbuídos de transformar estádios, treinos e jogos em seus palanques eleitorais.
Marín atirou no que viu e pode muito bem ter acertado no que não viu.
Além de todos os atrasos vergonhosos que estamos tendo nas obras da Copa (e mostrando ao mundo como somos uma nação mesquinha e que deixa tudo para a última hora, quase sempre para poder burlar as leis e levar um por fora), ainda vamos mostrar nosso lado mais descarado, da política mais vergonhosa que reina na nação tupiniquim.
30 de abr. de 2013
A história não se apaga
Deixei passar alguns dias para dar meu pitaco sobre o novo Maracanã. Li e ouvi muita gente conta e muita gente a favor do novo formato do velho estádio. Não, o Maracanã não acabou. A verdade é que melhorou. Futebol é um espetáculo cada vez mais caro e que quem paga merece conforto.
Essa conversa fiada de que "nunca mais vamos ter o velho Maracanã de volta", blá blá blá, não cola. Se fosse assim acharíamos normal um estádio com 250 mil pessoas apertadas para uma final de Copa do Mundo. E sabemos que não pode ser assim.
Fui ao Maracanã a primeira vez 85, com meu pai. Fomos num jogo mais fraco para evitar problemas de violência, que na época já era latente. Era uma Bangu x Botafogo e ficamos nas cadeiras azuis. Achei desconfortável. Mas vi pela primeira vez aquele gigante, fiquei impressionado e por alguns dias guardei o ingresso do jogo.
Fui ainda várias outras vezes ao estádio e fiquei na arquibancada, dura, sempre apertado, sempre com medo de pancadaria ou de um saco de mijo que pudesse vir de cima. Depois, já formado, voltei como jornalista. Condições de trabalho horríveis, sem lugar para apoiar o computador, cadeiras de ferro desconfortáveis, banheiros e bares em condições precárias. Ou seja, um horror.
Claro que acho que absurdo o Governo do Rio gastar mais de um bilhão num estádio que se fosse demolido, como eu penso que deveria, e fosse feito um novo teria custado três vezes menos. Mas aí não vale, porque roubar é preciso e navegar não é preciso.
Mas o novo estádio é mais confortável e não tira em nada a emoção de torcer. Não vem com essa de que não dá mais para correr pela arquibancada, que isso ou aquilo. Tremendo saudosismo, que não acaba com a história. História é história e ponto final.
Essa conversa fiada de que "nunca mais vamos ter o velho Maracanã de volta", blá blá blá, não cola. Se fosse assim acharíamos normal um estádio com 250 mil pessoas apertadas para uma final de Copa do Mundo. E sabemos que não pode ser assim.
Fui ao Maracanã a primeira vez 85, com meu pai. Fomos num jogo mais fraco para evitar problemas de violência, que na época já era latente. Era uma Bangu x Botafogo e ficamos nas cadeiras azuis. Achei desconfortável. Mas vi pela primeira vez aquele gigante, fiquei impressionado e por alguns dias guardei o ingresso do jogo.
Fui ainda várias outras vezes ao estádio e fiquei na arquibancada, dura, sempre apertado, sempre com medo de pancadaria ou de um saco de mijo que pudesse vir de cima. Depois, já formado, voltei como jornalista. Condições de trabalho horríveis, sem lugar para apoiar o computador, cadeiras de ferro desconfortáveis, banheiros e bares em condições precárias. Ou seja, um horror.
Claro que acho que absurdo o Governo do Rio gastar mais de um bilhão num estádio que se fosse demolido, como eu penso que deveria, e fosse feito um novo teria custado três vezes menos. Mas aí não vale, porque roubar é preciso e navegar não é preciso.
Mas o novo estádio é mais confortável e não tira em nada a emoção de torcer. Não vem com essa de que não dá mais para correr pela arquibancada, que isso ou aquilo. Tremendo saudosismo, que não acaba com a história. História é história e ponto final.
22 de abr. de 2013
Leia com atenção
Ler está cada vez mais difícil. Melhor dizendo: se concentrar em uma leitura está cada vez mais difícil. Daí a entender o que se está lendo é um passo ainda maior e mais perigoso. Digo isso porque, nos últimos dias, recuperei um velho hábito que andava esquecido em mim: ler.
E voltei a ler da forma mais moderna: através do tablet. Baixei o aplicativo do Kindle no Ipad, comprei um par de livros na Amazon e comecei a devorá-los como antes.
Sei que o mundo anda rápido, te exige cada vez mais uma leitura mais rápida, tirando conclusões cada vez com menos tempo de refletir e exigindo de você uma reação na maior velocidade e com a menor margem de erro possível. Sinal dos tempos.
Mas ainda é possível ler com calma. Sossegado. Sem interrupções. Acho até que voltei a ler melhor desta vez. Melhor no livro do que no twitter por exemplo.
E cito o twitter, porque seus 140 caracteres me lembram que na semana passada publicamos um anúncio numa página do Facebook, buscando profissionais para trabalhos esporádicos em lugares específicos: freelancers para as regiões Sul, Norte, Serrana e dos Lagos do Rio de Janeiro. Texto curto, bem escrito (não fui eu quem escreveu), bem explicado. Pois não bastou.
Recebi uma enxurrada de emails de gente da capital, ou de Niterói ou da Baixada Fluminense dizendo que se encaixava no perfil e coisa e tal. Até de Minas Gerais e São Paulo recebi emails. Respondi um a um, explicando que eles não se encaixavam porque o anúncio era claro: queríamos gente que trabalhasse e morasse na região identificada no texto.
Alguns me responderam pedindo desculpas pela falta de atenção na leitura; outros insistiram dizendo que sim se encaixavam de qualquer forma; outros pediam que eu os indicasse alguém para mandar currículo. Outros copiavam textos formais da internet que me fizeram rir. Outros foram incapazes de ler no texto que meu nome é Marcus e não Márcio. E depois da terceira tentativa de fazê-los entender que estavam me chamando com o nome errado, a resposta veio com um simples :).
Como pensar em contratar quem é incapaz de entender a mensagem de um texto simples? Como confiar que alguém seja capaz de produzir uma matéria de qualidade, por mais simples que seja o assunto, se elas não conseguem ler um texto e saber se estão ou não dentro do que é pedido? Difícil tarefa, não?
É certo que chegaram na minha caixa vários emails corretos, de gente (e boa) das regiões procuradas. Mas, infelizmente, foram minoria.
E voltei a ler da forma mais moderna: através do tablet. Baixei o aplicativo do Kindle no Ipad, comprei um par de livros na Amazon e comecei a devorá-los como antes.
Sei que o mundo anda rápido, te exige cada vez mais uma leitura mais rápida, tirando conclusões cada vez com menos tempo de refletir e exigindo de você uma reação na maior velocidade e com a menor margem de erro possível. Sinal dos tempos.
Mas ainda é possível ler com calma. Sossegado. Sem interrupções. Acho até que voltei a ler melhor desta vez. Melhor no livro do que no twitter por exemplo.
E cito o twitter, porque seus 140 caracteres me lembram que na semana passada publicamos um anúncio numa página do Facebook, buscando profissionais para trabalhos esporádicos em lugares específicos: freelancers para as regiões Sul, Norte, Serrana e dos Lagos do Rio de Janeiro. Texto curto, bem escrito (não fui eu quem escreveu), bem explicado. Pois não bastou.
Recebi uma enxurrada de emails de gente da capital, ou de Niterói ou da Baixada Fluminense dizendo que se encaixava no perfil e coisa e tal. Até de Minas Gerais e São Paulo recebi emails. Respondi um a um, explicando que eles não se encaixavam porque o anúncio era claro: queríamos gente que trabalhasse e morasse na região identificada no texto.
Alguns me responderam pedindo desculpas pela falta de atenção na leitura; outros insistiram dizendo que sim se encaixavam de qualquer forma; outros pediam que eu os indicasse alguém para mandar currículo. Outros copiavam textos formais da internet que me fizeram rir. Outros foram incapazes de ler no texto que meu nome é Marcus e não Márcio. E depois da terceira tentativa de fazê-los entender que estavam me chamando com o nome errado, a resposta veio com um simples :).
Como pensar em contratar quem é incapaz de entender a mensagem de um texto simples? Como confiar que alguém seja capaz de produzir uma matéria de qualidade, por mais simples que seja o assunto, se elas não conseguem ler um texto e saber se estão ou não dentro do que é pedido? Difícil tarefa, não?
É certo que chegaram na minha caixa vários emails corretos, de gente (e boa) das regiões procuradas. Mas, infelizmente, foram minoria.
17 de abr. de 2013
Se eu fosse polícia
Tem dias na profissão que você precisa ir a lugares que você não são lá muito agradáveis. Às vezes IML, porta de hospital, velório, um acidente grave, delegacia, por exemplo. Hoje foi dia de delegacia. E lá, ouvi um caso paralelo ao que estava acompanhando.
Uma mulher estava denunciando o companheiro por agressão. Ela parecia tranquila. Conversava com um policial e o agressor já estava devidamente preso. A agredida estava acompanhada de alguns amigos. Três para ser mais exato. Todos homens. Quando o policial saiu da conversa um deles começou a falar.
"Moro com minha mulher há dez anos. Uma vez, bati nela e deformei a cara dele" dizia, sem mexer músculo e sem me parecer nem um pouco arrependido da covardia; e seguiu: Mas nos acertamos, e faz seis anos que não toco no fio de cabelo dela", disse, como se fosse um verdadeiro herói.
Um outro se meteu. "Esse negócio de bater em mulher não tá com nada. Estou com a minha há dezesseis anos e nunca precisei fazer isso" disse o machão, como se referi-se a um objeto na estante. E virou-se para a mulher agredida: "Você é que sabe se quer continuar com a denúncia ou deixar tudo na boa. Se você continuar, ele vai pra Polinter. Se retirar, vamos juntar nele e dizer que foi a última vez. Pensa bem", disse, sem ameaçar, mas ameaçando.
Imagino que essas pessoas estejam acostumadas a lidar com esse tipo de violência, que é mais comum do que podemos pensar. Mas eu, se fosse polícia, tinha metido o primeiro falante na cadeia na hora e começado a investigar o segundo. Dois imbecis e que deveria estar tão na cadeia quanto o que já estava.
Uma mulher estava denunciando o companheiro por agressão. Ela parecia tranquila. Conversava com um policial e o agressor já estava devidamente preso. A agredida estava acompanhada de alguns amigos. Três para ser mais exato. Todos homens. Quando o policial saiu da conversa um deles começou a falar.
"Moro com minha mulher há dez anos. Uma vez, bati nela e deformei a cara dele" dizia, sem mexer músculo e sem me parecer nem um pouco arrependido da covardia; e seguiu: Mas nos acertamos, e faz seis anos que não toco no fio de cabelo dela", disse, como se fosse um verdadeiro herói.
Um outro se meteu. "Esse negócio de bater em mulher não tá com nada. Estou com a minha há dezesseis anos e nunca precisei fazer isso" disse o machão, como se referi-se a um objeto na estante. E virou-se para a mulher agredida: "Você é que sabe se quer continuar com a denúncia ou deixar tudo na boa. Se você continuar, ele vai pra Polinter. Se retirar, vamos juntar nele e dizer que foi a última vez. Pensa bem", disse, sem ameaçar, mas ameaçando.
Imagino que essas pessoas estejam acostumadas a lidar com esse tipo de violência, que é mais comum do que podemos pensar. Mas eu, se fosse polícia, tinha metido o primeiro falante na cadeia na hora e começado a investigar o segundo. Dois imbecis e que deveria estar tão na cadeia quanto o que já estava.
12 de abr. de 2013
É meu, mas não é
Eu ando de ônibus. Sou dos que preferem atravessar a rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, todas as manhãs rumo ao trabalho, no Centro, com alguém dirigindo para mim. Vou lendo, ouvindo rádio. Mesmo que isso signifique arriscar a minha vida e a de outros passageiros com motoristas que, quase sempre, dirigem acima dos 60 km/h permitidos e nunca fiscalizados na Praia do Flamengo. E para andar de ônibus nada melhor do que ter um cartão Riocard, o bilhete único carioca.
O que não pode é perdr o bilhete, porque se você perde...
Bem, perdi o meu no carnaval. Quarta-feira de Cinzas para ser mais exato. Num bloco na Gávea, trabalhando. Na quinta-feira já providenciei o cancelamento pelo site. Melhor seria dizer "nos sites". Porque são dois. Não sei o motivo, mas cada hora que preciso de uma coisa, entro no site, mas acaba sendo no outro.
Imprimi o papel da perda.
Depois disso, fiz um pedido de um novo cartão, no site. Site confuso, pedem dados demais, os caminhos são tortuosos, os termos parecem científicos . Liguei para a ajuda telefônica, demoraram a me atender, e tive que fazer passo a passo com a telefonista. Consegui. Imprimi o boleto. Paguei pela internet e tive que imprimir também o comprovante de pagamento.
Dentro de sete dias o cartão estaria disponível na agência Itaú que eu escolhesse pelo site. Lista de agências todas desordenadas, um caos. Se você der sorte de achar a sua entre as dez primeiras da lista, ótimo. Se não...
Acontece que sete dias depois, na data marcada, eu estaria de viagem, férias, longe. Deixei para depois. Não precisava do cartão mesmo. Volto das férias e vou buscar o cartão, pensei. Mas aí encontro fila de início do mês no banco. Nem pensar. Volto amanhã.
Voltei. Três folhas de papel impressas e...falta mais um papel, informa a caixa, quase que rosnando. Um papel de recibo, que só fica pronto depois que o cartão fica pronto. Tem que ir no site (qual dos dois, meu Deus?), seguir o caminho e imprimir.
- Mas já paguei, o cartão está no meu nome, é meu, o crédito que está nele é meu, aqui está minha identidade, argumento.
Nada feito. Sem o maldito recibo, nada. Volto para casa. Aí acabou a paciência e acabou também a tinta da impressora acabou. Agora, só no dia seguinte.
Dia seguinte, Imprimo o quarto papel e peço, por favor, à minha mulher para ir buscar o cartão para mim no banco. Se volto e a caixa do banco me pede um papel a mais, acho que perco a paciência de vez. Minha mulher foi e em cinco minutos voltava para casa com eu cartão. Acabou? Não.
Ainda é preciso desbloquear o cartão: dois dias. Depois transferir o saldo do cartão perdido para o cartão novo: mais dois dias.
- Mas já paguei, o cartão está no meu nome, é meu, o crédito que está nele é meu. Não adianta o argumento. A burocracia neste país sempre vence. Sempre. Perdi meu cartão no dia 13 de fevereiro e só no dia 16 de abril. Mais de dois meses. Parabéns aos envolvidos.
O que não pode é perdr o bilhete, porque se você perde...
Bem, perdi o meu no carnaval. Quarta-feira de Cinzas para ser mais exato. Num bloco na Gávea, trabalhando. Na quinta-feira já providenciei o cancelamento pelo site. Melhor seria dizer "nos sites". Porque são dois. Não sei o motivo, mas cada hora que preciso de uma coisa, entro no site, mas acaba sendo no outro.
Imprimi o papel da perda.
Depois disso, fiz um pedido de um novo cartão, no site. Site confuso, pedem dados demais, os caminhos são tortuosos, os termos parecem científicos . Liguei para a ajuda telefônica, demoraram a me atender, e tive que fazer passo a passo com a telefonista. Consegui. Imprimi o boleto. Paguei pela internet e tive que imprimir também o comprovante de pagamento.
Dentro de sete dias o cartão estaria disponível na agência Itaú que eu escolhesse pelo site. Lista de agências todas desordenadas, um caos. Se você der sorte de achar a sua entre as dez primeiras da lista, ótimo. Se não...
Acontece que sete dias depois, na data marcada, eu estaria de viagem, férias, longe. Deixei para depois. Não precisava do cartão mesmo. Volto das férias e vou buscar o cartão, pensei. Mas aí encontro fila de início do mês no banco. Nem pensar. Volto amanhã.
Voltei. Três folhas de papel impressas e...falta mais um papel, informa a caixa, quase que rosnando. Um papel de recibo, que só fica pronto depois que o cartão fica pronto. Tem que ir no site (qual dos dois, meu Deus?), seguir o caminho e imprimir.
- Mas já paguei, o cartão está no meu nome, é meu, o crédito que está nele é meu, aqui está minha identidade, argumento.
Nada feito. Sem o maldito recibo, nada. Volto para casa. Aí acabou a paciência e acabou também a tinta da impressora acabou. Agora, só no dia seguinte.
Dia seguinte, Imprimo o quarto papel e peço, por favor, à minha mulher para ir buscar o cartão para mim no banco. Se volto e a caixa do banco me pede um papel a mais, acho que perco a paciência de vez. Minha mulher foi e em cinco minutos voltava para casa com eu cartão. Acabou? Não.
Ainda é preciso desbloquear o cartão: dois dias. Depois transferir o saldo do cartão perdido para o cartão novo: mais dois dias.
- Mas já paguei, o cartão está no meu nome, é meu, o crédito que está nele é meu. Não adianta o argumento. A burocracia neste país sempre vence. Sempre. Perdi meu cartão no dia 13 de fevereiro e só no dia 16 de abril. Mais de dois meses. Parabéns aos envolvidos.
12 de mar. de 2013
Como faz para dormir?
O "atrasado" e "retrógrado" Vaticano deu um show de imagens hoje, no início do Conclave. Missa completa, tudo em HD. Depois, ainda veio o melhor: entrada dos cardeais na Capela Sistina. Um a um, várias câmeras bem posicionadas, câmeras passeando pela sala, detalhes das mesas, das roupas, e o desfile de cardeais para fazer o juramento até o hora do "todos fora". Para quem gosta, foi de arrepiar ver a todos os cardeais num momento que considero tão solene e importante para os católicos.
Quem não é católico está autorizado a discordar do autor do blog.
Fecharam-se as portas e começou o segredo. Nenhuma câmera estilo BBB, sem som, para vermos o que está rolando. Nenhum celular para aquela foto furtiva postada no twitter ou no Facebook do cardeal "moderninho". Nada. Apenas a fumaça preta após a primeira votação.
Imagina a hora do jantar depois da primeira votação? O burburinho, as conversas, as tensões, as orações, a Torre de Babel, o latim mal compreendido.
E o mais votado do dia, que não sabemos quem é? Como é que dorme esta noite? Sabendo que esteve a ponto de ser o novo Papa e amanhã pode até mesmo não receber nenhuma voto. O que passa na cabeça deste Cardeal durante a noite? O nome que vai adotar? o pedido a Deus para ter forças? Deve ser de arrepiar esse momento.
Num mundo totalmente conectado o mistério ainda fascina mais que a exposição completa, nua e crua. No mundo das câmeras que nos cercam em todos os lugares, a ausência delas nos faz temer dormir e perder algo importante. E estou de férias e tenho voo marcado para amanhã à noite, temo ser um desses que vai perder alguma coisa importante e só vai saber do novo Papa depois, quando desembarcar em Atlanta já na quinta-feira.
Só para não passar em branco, deixo aqui meu palpite sobre o Conclave. Apesar do favoritismo de Dom Scola e Dom Odilo, tenho pra mim que Dom João Braz de Aviz está com uma carinha de Papa...Tomara que eu esteja certo.
Quem não é católico está autorizado a discordar do autor do blog.
Fecharam-se as portas e começou o segredo. Nenhuma câmera estilo BBB, sem som, para vermos o que está rolando. Nenhum celular para aquela foto furtiva postada no twitter ou no Facebook do cardeal "moderninho". Nada. Apenas a fumaça preta após a primeira votação.
Imagina a hora do jantar depois da primeira votação? O burburinho, as conversas, as tensões, as orações, a Torre de Babel, o latim mal compreendido.
E o mais votado do dia, que não sabemos quem é? Como é que dorme esta noite? Sabendo que esteve a ponto de ser o novo Papa e amanhã pode até mesmo não receber nenhuma voto. O que passa na cabeça deste Cardeal durante a noite? O nome que vai adotar? o pedido a Deus para ter forças? Deve ser de arrepiar esse momento.
Num mundo totalmente conectado o mistério ainda fascina mais que a exposição completa, nua e crua. No mundo das câmeras que nos cercam em todos os lugares, a ausência delas nos faz temer dormir e perder algo importante. E estou de férias e tenho voo marcado para amanhã à noite, temo ser um desses que vai perder alguma coisa importante e só vai saber do novo Papa depois, quando desembarcar em Atlanta já na quinta-feira.
Só para não passar em branco, deixo aqui meu palpite sobre o Conclave. Apesar do favoritismo de Dom Scola e Dom Odilo, tenho pra mim que Dom João Braz de Aviz está com uma carinha de Papa...Tomara que eu esteja certo.
4 de mar. de 2013
Qual é o seu nome?
Vem aí o Conclave que vai eleger o novo Papa. Além do interesse religioso que tenho pelo assunto, tem também o interesse jornalístico (que é bem diferente nesse caso). O assunto me deixa inquieto. Como manter o segredo durante dias com tanta tecnologia móvel à disposição? Já no último conclave alguns bispos saíam para fumar e alguns segredinhos das votações foram revelados. Vieram à tona apenas depois de decida a eleição a favor de Bento XVI, é verdade, mas vazou.
Mas o que mais me intriga mesmo é esse momento em que o Cardeal recebe 2/3 dos votos e é perguntado: aceita? Se ele aceita, os outros cardeais se colocam num nível abaixo. Ponto. A pergunta seguinte é: como você quer ser chamado?
Para tudo. Vamos pensar.
Se o Cardeal, em teoria, entra no Conclave para eleger outro e é eleito, preciso de um tempo para pensar no nome que vai adotar caso seja eleito papa. Quanto é esse tempo? Cinco minutos, uma hora, duas horas? Como toma esse decisão de mudar de nome para sempre? Leva em conta algum estudo prévio para escolher o nome?
Deve ser angustiante. Primeiro saber que você não vai voltar para casa a partir daquele dia em diante. Vai viver no Vaticano para sempre (alguns já vivem, como o próprio Bento XVI). E depois ter que escolher, assim, de supetão, um nome para todo sempre. Não basta ser eleito Papa, com uma baita responsabilidade, e ainda tem que escolher um pouco tempo o nome.
Quando do Conclave que elegeu o agora Papa Emérito, falava-se que Bento (Ou Benedicto) seria um dos mais cotados, por terem sido pontificados breves. Não deu outra. Ratzinger escolher Bento (aos 78 anos sabia que seu pontificado seria curto).
Mas quem poderia imaginar que Albino Luciani fosse escolher João Paulo pela primeira vez? E, na sequencia, Wojtila fosse escolher o mesmo nome na sequencia? Pois é. E o próximo? João e Paulo, separados, podem ser boas opções se o rumo for de mudar algo na direção da igreja, como o próprio Bento pediu. João XXIII e Paulo VI foram peças-chave no Concílio Vaticano II.
Em uma das muitas casas de apostas que existem por aí Gregório e Leão são os nomes cotados. Apesar de nomes pouco "modernos". João vem na sequencia. João XXIV seria. Ou Paulo, que seria VII. Tem até Elvis na aposta. Enfim, quem aposta, aposta em qualquer coisa. Vamos esperar para tirar essa dúvida.
Mas o que mais me intriga mesmo é esse momento em que o Cardeal recebe 2/3 dos votos e é perguntado: aceita? Se ele aceita, os outros cardeais se colocam num nível abaixo. Ponto. A pergunta seguinte é: como você quer ser chamado?
Para tudo. Vamos pensar.
Se o Cardeal, em teoria, entra no Conclave para eleger outro e é eleito, preciso de um tempo para pensar no nome que vai adotar caso seja eleito papa. Quanto é esse tempo? Cinco minutos, uma hora, duas horas? Como toma esse decisão de mudar de nome para sempre? Leva em conta algum estudo prévio para escolher o nome?
Deve ser angustiante. Primeiro saber que você não vai voltar para casa a partir daquele dia em diante. Vai viver no Vaticano para sempre (alguns já vivem, como o próprio Bento XVI). E depois ter que escolher, assim, de supetão, um nome para todo sempre. Não basta ser eleito Papa, com uma baita responsabilidade, e ainda tem que escolher um pouco tempo o nome.
Quando do Conclave que elegeu o agora Papa Emérito, falava-se que Bento (Ou Benedicto) seria um dos mais cotados, por terem sido pontificados breves. Não deu outra. Ratzinger escolher Bento (aos 78 anos sabia que seu pontificado seria curto).
Mas quem poderia imaginar que Albino Luciani fosse escolher João Paulo pela primeira vez? E, na sequencia, Wojtila fosse escolher o mesmo nome na sequencia? Pois é. E o próximo? João e Paulo, separados, podem ser boas opções se o rumo for de mudar algo na direção da igreja, como o próprio Bento pediu. João XXIII e Paulo VI foram peças-chave no Concílio Vaticano II.
Em uma das muitas casas de apostas que existem por aí Gregório e Leão são os nomes cotados. Apesar de nomes pouco "modernos". João vem na sequencia. João XXIV seria. Ou Paulo, que seria VII. Tem até Elvis na aposta. Enfim, quem aposta, aposta em qualquer coisa. Vamos esperar para tirar essa dúvida.
27 de fev. de 2013
Hora de voltar
Eu voltei. Achei que isso nunca fosse acontecer, mas aconteceu. Sete anos depois de passar sete anos por aqui (o sete persegue este blog), voltei a Barcelona. Os mais chegados sabem de tudo o que passei aqui. Dos momentos maravilhosos, dos maus, dos péssimos. Mas isso tudo passou. Passou. Ainda assim, na chegada, voltam muitas coisas à memória. Muito embora o aeroporto já não seja o mesmo, a Plaza Espanya não seja a mesma e nem a Monumental seja a mesma (olé!). Ah, e o objetivo também não.
Das quatro ações descritas por Roberto Carlos na primeira frase da música, as duas primeiras não aconteceram. As duas últimas sim: as malas coloquei no chão e pensei: eu voltei. Não fiquei arrepiado, não senti vontade de chorar. Nada. Até porque a minha mala não chegou junto comigo e isso acabou por me distrair.
Foram apenas cinco dias. Vão ser, na verdade. Ainda estou aqui.
Revi amigos queridos. Outros, tão queridos, não consegui.
Revivi a experiência de encontrar todas as lojas e shoppings fechadas no domingo (como isso me dava raiva), andei de metrô na madrugada (onde as pessoas lêem menos que antes e mexem mais no celular que nunca); vi tribos de todos os tipos de roupas, sexo, cores de cabelos, idiomas (maravilhosa essa mistura maremagnun dessa cidade tribal); comi pan tumaca, bocadillos de jamón, fuet, tortilla, tomei vinho, cortado, café amb llet. Praça Catalunya, Casc Antic, fui ao Ikea, ao La Sirena, à Decathlon, à Célio, Carrefour, Bonárea.
Vi um jogo do Barcelona x Real Madrid ao lado do amigo Tony Martinez, no meio da uma penya do Real, num bar de bairro dos mais deliciosos que existem neste mundo (e que não existem quase mais no Brasil).Tomei Estrella Damm. Uma não, várias.
Tudo como nos velhos tempos.
Infelizmente a crise é real. Há mais taxistas mulheres (Para ajudar em casa. Trabalho de dia e o marido à noite, me disse uma, arrependida de não ter deixado o emprego há mais tempo para trabalhar na praça); Há muitas lojas fechadas, muitos pisos em venda, muita gente sendo despejada por não pagar a hipoteca. escândalos do governo, como sempre. Foi difícil achar um banca de jornal (depois disso da internet, ninguém compra mais jornal, me disse outra senhorinha no meio da rua). Ainda assim achei onde comprar El Jueves. As pessoas fumam muito, como sempre.
Mas não deu para chorar, porque agora tenho duas vidas mais importantes no Brasil, que amo loucamente e não posso viver sem elas. Mas essa cidade, que me recebeu com dois graus de temperatura, continua a mesma. Aqui não é mais meu lugar, mas sua história comigo, graças a Deus, não teve fim. O próximo capítulo demorou sete anos para acontecer e espero que o próximo chegue bem antes.
Visca Barcelona.
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